Como funciona o 'viagra' feminino, recém-aprovado pelos EUA
Elas tiveram 0,8 relação sexual a mais, muito pouco, segundo a FDA, para compensar possíveis efeitos colaterais.
Para que serve
Mas elas e os parceiros não criam clima.” Especialistas como Emily temem que a pílula rosa seja encarada como uma solução milagrosa, que desestimule as mulheres a se conhecer e a conversar com os parceiros. “Esse medicamento não atua nas causas reais do problema, que geralmente são repressão sexual, insegurança com o próprio corpo e falta de intimidade.” >> Elisabete Oliveira: “O amor sem sexo é possível”Ainda há o risco de a propaganda do medicamento criar padrões ideais – e irreais – de desejo. “Não existe nível normal de libido, isso é uma invenção da indústria”, diz a médica americana Adriane Fugh-Berman, que estuda estratégias de marketing da indústria farmacêutica na Universidade Georgetown. Existe o temor de que as campanhas de conscientização levem mulheres até então satisfeitas a questionar sua frequência sexual. “A propaganda da indústria é feita para incitar pessoas felizes a perguntar aos médicos se elas também não precisam se tratar”, diz Cindy Pearson, diretora da entidade americana Rede Nacional pela Saúde da Mulher.
2. Testosterona
O caminho tortuoso do Addyi até sua aprovação é um termômetro da polêmica que cerca a nova droga. A flibanserina, seu princípio ativo, foi testada como antidepressivo pela primeira vez em 2009 por uma das grandes da indústria, a alemã Boehringer Ingelheim. O efeito antidepressivo não apareceu no teste, mas mulheres relataram aumento de libido. A empresa pediu à FDA para aprovar a droga como tratamento para a falta de desejo, mas os resultados não convenceram a agência. O aumento no número de relações sexuais satisfatórias das mulheres que tomaram a droga em relação às que ingeriram uma substância sem ação foi mínimo. A Boehringer desistiu da droga e a vendeu ao casal Cindy e Robert Whitehead – hoje os felizes e bilionários ex-donos da Sprout.
| Medicamento | Dose recomendada | Frequência | Momento de administração | Duração do tratamento |
|---|---|---|---|---|
| Addyi | 100 mg | Uma vez ao dia | Ao deitar | Reavaliar após 8 semanas |
| Vyleesi | 1,75 mg | Consoante necessidade | 45 minutos antes da atividade | Máximo 8 doses mensais |
| Osphena | 60 mg | Uma vez ao dia | À mesma hora | Curta duração possível |
| Intrarosa | 6,5 mg | Uma vez ao dia | Ao deitar | Contínuo |
A pequena empresa fez outros testes, mais uma vez recusados pela FDA, que pediu estudos adicionais. >> Walcyr Carrasco: Sexo como vícioEnquanto eles eram realizados, em 2014, surgiu um movimento de organizações de
| Produto | Dosagem | Quantidade + Bónus | Preço | |
|---|---|---|---|---|
| Viagra Genérico | 150mg | 90 + 6 comprimidos | 147.18€ 140.17€ | |
| Viagra Oral Jelly | 100mg | 220 + 18 saquetas | 562.28€ 535.50€ | |
| Viagra Professional | 100mg | 60 + 2 comprimidos | 146.74€ 139.75€ | |
| Viagra Genérico | 100mg | 90 + 6 comprimidos | 129.02€ 122.88€ | |
| Viagra Genérico | 100mg | 30 + 4 comprimidos | 60.91€ 58.01€ | |
| Viagra Oral Jelly | 100mg | 63 + 7 saquetas | 190.54€ 181.47€ | |
| Viagra Professional | 100mg | 90 + 2 comprimidos | 207.09€ 197.23€ | |
| Viagra Genérico | 25mg | 30 + 4 comprimidos | 47.97€ 45.69€ | |
| Viagra Professional | 100mg | 360 + 6 comprimidos | 527.09€ 501.99€ | |
| Viagra Genérico | 50mg | 360 + 10 comprimidos | 225.33€ 214.60€ | |
| Viagra Original | 100mg | 22 + 2 comprimidos | 120.71€ 114.96€ | |
| Viagra Genérico | 25mg | 360 + 10 comprimidos | 213.68€ 203.50€ | |
| Viagra Genérico | 100mg | 270 + 10 comprimidos | 270.47€ 257.59€ |
mulheres americanas, financiado pela Sprout e por outras farmacêuticas, chamado Even the Score (algo como Empate o Jogo).
| Medicamento | Preço por embalagem | Doses por embalagem | Custo mensal aproximado |
|---|---|---|---|
| Addyi | 120 € | 30 comprimidos | 120 € |
| Vyleesi | 80 € | 4 canetas | 160 € (8 doses) |
| Osphena | 95 € | 28 comprimidos | 95 € |
| Intrarosa | 65 € | 28 óvulos | 65 € |
O grupo acusava a FDA de preconceito de gênero por nunca ter aprovado uma droga para problemas femininos.
- A terapia hormonal com testosterona é frequentemente prescrita para mulheres com baixo desejo sexual devido a menopausa ou remoção dos ovários.
- A testosterona em baixas doses pode ser administrada sob a forma de gel, adesivo ou implante, mas não está aprovada para todas as mulheres.
- O uso de testosterona em mulheres requer monitorização rigorosa para evitar efeitos como acne, hirsutismo e alterações no colesterol.
- Suplementos como a dehidroepiandrosterona (DHEA) são por vezes utilizados, mas a evidência científica é limitada.
- A terapia hormonal combinada com estrogénio e progesterona pode melhorar o desejo sexual em algumas mulheres na menopausa.
Os homens, por sua vez, contavam com 26 (algumas, como o Viagra, com efeitos colaterais graves, como interação perigosa com outros remédios).
- O sildenafil (princípio ativo do Viagra) tem sido estudado em mulheres, mas os resultados são inconsistentes e não está aprovado para uso feminino.
- Alguns estudos sugerem que o sildenafil pode melhorar a excitação genital em mulheres com disfunção sexual devido a problemas vasculares.
- O uso de sildenafil em mulheres pode causar efeitos secundários como dores de cabeça, rubor facial e congestão nasal.
- A Food and Drug Administration (FDA) não aprovou o sildenafil para tratamento da disfunção sexual feminina.
- Em Portugal, o sildenafil é apenas comercializado para disfunção erétil masculina.
Coincidência ou não, meses após o barulho, a FDA aprovou a flibanserina.
6. E a repercussão?
"A situação que leva à falta do clima deve ser considerada sempre", contou ela à BBC. *A versão original da matéria não tinha a informação da venda da fórmula para a Sprout. Foram seis anos, duas reprovações e mais de US$ 100 milhões até que o mundo conhecesse a primeira droga para tratar a falta de desejo sexual feminino. Na terça-feira, dia 18 de agosto, a agência americana que regula medicamentos, conhecida como FDA, liberou a comercialização nos Estados Unidos do Addyi. A aprovação da droga, que já ganhou o apelido de Viagra feminino, era aguardada com ansiedade por mulheres ao redor do mundo, insatisfeitas com suas vidas sexuais, e pela indústria farmacêutica, de olho no mercado bilionário.
5. Maca peruana
Dois dias após o female viagra portugal anúncio, a empresa que desenvolveu a droga, a americana Sprout Pharmaceuticals, foi vendida para a canadense Valeant Pharmaceuticals por US$ 1 bilhão. >> "Quero desejar meu marido outra vez"A conquista da cobiçada pílula rosa – uma referência à azul, do Viagra – chama a atenção para problemas sexuais femininos que, por muito tempo, permaneceram em segundo plano na pesquisa científica. Porém, para um grupo numeroso de especialistas, ainda é cedo para comemorar. Eles acreditam que o medicamento pode trazer mais sombras do que luz à sexualidade feminina. “Há muitos perigos em potencial”, afirma o australiano Ray Moynihan, que pesquisa o uso excessivo de medicamentos na Universidade Bond. “Criou-se um precedente perigoso que sugere que uma campanha agressiva de relações públicas é parte do processo de aprovação”, diz Leonore Tiefer, líder
1. Existe uma explicação para a queda do desejo?
Originalmente, ela seria usada como um antidepressivo. Listamos aqui o que você sabemos sobre toda essa questão até agora: Não são só mulheres que sofrem com a falta de libido após uma certa idade - o sucesso do Viagra está aí para provar isso. No entanto, as características dessa queda no desejo são bem diferentes entre homens e mulheres. A disfunção sexual masculina é tratada através da recuperação da ereção. Já a falta de desejo feminina é mais abstrata e ainda é um mistério para os cientistas - a única coisa que se sabe é que o mecanismo cerebral envolvido com a sensação de recompensa tem um papel importante.
4. Tribulus terrestris
Uma das teorias é o chamado Distúrbio do Desejo Sexual Hipoativo (ou HSDD, na sigla em inglês). O HSDD afetaria partes frontais do cérebro e seria uma inabilidade de deixá-las mais inativas. Como essas regiões são responsáveis por tarefas do dia a dia, lembrando de problemas no trabalho, do aniversário de um conhecido, etc. elas interfeririam no funcionamento do circuito de recompensa - e a capacidade de sentir prazer e motivação sexual seria inibida. Como explicamos ali em cima, o medicamento foi desenvolvido como um tratamento para a depressão. do grupo The New View Campaign, que acusa a Even the Score de mudar os critérios de aprovação de drogas, de científicos para políticos.
| Medicamento | Contraindicação | Risco associado | Alternativa possível |
|---|---|---|---|
| Addyi | Insuficiência hepática | Acumulação tóxica | Terapia psicológica |
| Vyleesi | Hipertensão não controlada | Crise hipertensiva | Osphena |
| Osphena | Antecedentes de trombose | Tromboembolismo | Intrarosa |
| Intrarosa | Hemorragia vaginal não diagnosticada | Agravamento de patologia | Avaliação ginecológica prévia |
Não há previsão, porque a Anvisa não informa se o processo está em andamento.O mecanismo de ação do Addyi permanece desconhecido, sua eficácia polêmica e há efeitos colaterais importantes.
Era do pós-comprimido
Não há, para já, informações sobre a sua chegada ao mercado português. A Food and Drug Administration (FDA) autorizou ontem a comercialização do Flibanserin, o primeiro “Viagra” feminino, destinado a mulheres que ainda não estejam na menopausa e tenham falta de desejo sexual, noticiou a “Lusa”. A FDA, que rejeitou a comercialização da droga em 2010 e 2013, seguiu finalmente as recomendações de um comité consultivo de peritos que voltou em junho a recomendar a comercialização do medicamento. O Flibanserin, destinado a mulheres que não estejam na menopausa, pode ter efeitos secundários significativos, incluindo náuseas, tonturas e sonolência. Duas tentativas de trazer o medicamento para o mercado falharam em 2010 e 2013, porque os especialistas descreveram as vantagens como inconclusivas.
7. Ginkgo biloba
Segundo documentos presentes na página na Internet da FDA, as mulheres que tomaram Flibanserin relataram, em média, 4,4 encontros sexuais satisfatórios por mês, contra 3,7 das que tomaram um placebo. Alguns cientistas afirmam que flutuações no desejo sexual feminino são normais - especialmente quando as mulheres ficam mais velhas. Outros psicólogos sexuais dizem que o défcit de libido pode ser considerada um problema de saúde, já que estaria atrelado a um desequilíbrio hormonal. Mas, agora, a FDA (Food and Drugs Administration, o órgão regulamentador de medicamentos nos EUA) vai realizar um painel para decidir se aprovam ou não o teste de um potencial 'viagra feminino' em pacientes. Essa substância é a Flibanserina, uma droga não hormonal criada pelo laboratório Boehringer Ingelheim Pharmaceuticals e que, hoje, é de propriedade da Sprout Pharmaceuticals (a venda da fórmula aconteceu em 2010)*. Ele pode provocar quedas de pressão e desmaios e não deve ser combinado com álcool.
Azul e rosa: cada um com o seu
>> A guerra pelo "Viagra feminino"Ao solicitar a aprovação à FDA, a agência reguladora que influencia as demais ao redor do mundo, a Sprout foi específica. Isso não impede que qualquer mulher queira usar o medicamento. A droga é destinada a tratar uma condição chamada transtorno do desejo sexual hipoativo, em mulheres na pré-menopausa. Ele é caracterizado pela ausência de desejos ou fantasias sexuais, desde que isso cause sofrimento. O problema é que essa condição não existe mais.
3. DHEA
Em 2013, o termo mudou de nome no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais dos Estados Unidos, a bíblia da psiquiatria mundial. A mudança revela a dificuldade de entender a libido feminina: não é que muitas mulheres não sintam desejo. Às vezes, ele aparece depois da excitação erótica, e não o contrário, como se pensava. “Menos de 5% das mulheres não têm desejo sexual algum”, diz a americana Emily Nagoski, especialista em comportamento sexual. “Cerca de 30% têm o chamado desejo responsivo: precisam ser excitadas antes. Mas também é possível olhar pelo lado cor-de-rosa da questão.
Depois de várias tentativas, a FDA deu finalmente luz ver ao primeiro comprimido sexual para as mulheres
Mas testes clínicos mostraram pouca eficácia nesses casos. Um efeito colateral, no entanto, foi notado: mulheres que tomaram a droga começaram a ter experiências sexuais mais satisfatórias. Ela altera o equilíbrio natural dos neurotransmissores envolvidos com a sensação de recompensa da qual falamos anteriormente: a dopamina, a serotonina e a noradrenalina, compensando e normalizando os níveis dessas substâncias. Se a teoria do HSDD estiver certa, a droga permite que esses circuitos frontais relacionados à responsabilidades possam ter a atividade diminuída em determinados momentos - e parem de inibir o prazer sexual. A FDA já rejeitou a droga em 2010 porque, apesar de pacientes dizerem que suas experiências sexuais foram mais satisfatórias, experimentos falharam em quantificar um aumento do desejo.
Flibanserin é o mesmo que Viagra?
O problema é: como é possível quantificar algo tão abstrato? Mesmo assim, eles são menos extremos do que drogas para disfunção erétil já aprovadas. Estes incluem coisas como infarto, cegueira, morte súbita e até ruptura peniana. Apesar da busca pela versão feminina do viagra estar a todo vapor na indústria farmacêutica (o viagra é um sucesso de vendas que pode ser repetido), muitas pessoas temem que a droga, se aprovada, poderá inibir a busca de soluções em caso que a falta de desejo não é um problema isolado, sim um sintoma. De acordo com a professora da Universidade de Southampton, Cynthia Graham, que leciona psicologia e saúde, a falta de desejo pode significar depressão ou estafa.
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