‘Viagra feminino’ recebe sinal verde de especialistas
No caso das mulheres, é mais comum que ocorra uma desconexão entre as duas esferas.
- O termo "Viagra feminino" é enganador porque o Viagra actua no fluxo sanguíneo do pénis, um mecanismo diferente da resposta feminina.
- Estudos com sildenafil (princípio activo do Viagra) em mulheres mostraram resultados limitados e inconsistentes.
- Apenas em casos muito específicos de disfunção sexual relacionada com a circulação sanguínea o sildenafil pode ser útil.
- Nenhum médico português prescreverá Viagra a uma mulher para uso off-label sem uma avaliação cuidadosa.
Uma mulher pode ter sinais físicos de excitação - o aumento de fluxo sanguíneo para a vagina e clitóris,
| Especialidade | Onde consultar | O que esperar | Encaminhamento necessário |
|---|---|---|---|
| Medicina Geral e Familiar | Centro de Saúde | Avaliação inicial e exclusão de causas orgânicas | Consulta direta sem encaminhamento |
| Ginecologia | Hospital público | Avaliação hormonal e do pavimento pélvico | Encaminhamento pelo médico de família |
| Psiquiatria | Hospital público ou privado | Avaliação de depressão e ansiedade | Encaminhamento pelo médico de família |
| Sexologia Clínica | Consulta privada ou hospitalar | Abordagem integrada do casal e terapia sexual | Encaminhamento ou marcação direta |
por exemplo -, mas não necessariamente sentir desejo ou vontade de se engajar em alguma atividade sexual, e vice-versa.
- A investigação sobre o desejo sexual feminino é historicamente menos financiada do que a disfunção eréctil masculina.
- As mulheres apresentam um ciclo de resposta sexual mais complexo, que envolve factores emocionais e contextuais.
- A indústria farmacêutica tem dificuldade em desenvolver um fármaco eficaz devido à natureza multifactorial do desejo feminino.
- Ensaios clínicos para novos medicamentos femininos enfrentam desafios na definição de objectivos de eficácia mensuráveis.
"Pessoalmente acho que muito disso tem a ver com o fato de que, para os meninos, quando estão crescendo, é mais fácil ligar os sentimentos com o que está acontecendo no corpo. Meninas não são encorajadas a explorar o próprio corpo e não têm a menor ideia do que
| Abordagem | Descrição | Eficácia comprovada | Disponibilidade em Portugal |
|---|---|---|---|
| Terapia cognitivo-comportamental | Reestruturação de pensamentos e crenças sexuais | Moderada a alta | Consultórios de psicologia clínica |
| Fisioterapia pélvica | Exercícios de Kegel e biofeedback | Alta para dor pélvica | Clínicas de fisioterapia especializada |
| Mindfulness sexual | Técnicas de atenção plena durante a intimidade | Moderada | Workshops e terapeutas sexuais |
| Lubrificantes e hidratantes vaginais | Produtos à base de água ou silicone | Alta para secura | Farmácias e supermercados |
está acontecendo lá embaixo - então muitas mulheres acabam dissociando o corpo da cabeça", diz a pesquisadora.
| Categoria | Causa específica | Impacto na resposta sexual |
|---|---|---|
| Hormonal | Menopausa e diminuição do estrogénio | Secura vaginal e diminuição da libido |
| Psicológica | Depressão e ansiedade | Redução do desejo e da excitação |
| Medicamentosa | Antidepressivos ISRS | Anorgasmia e diminuição da libido |
| Relacional | Conflitos conjugais | Falta de intimidade e desejo |
| Fisiológica | Doenças crónicas como diabetes | Diminuição da lubrificação e sensibilidade |
"E a ideia de que você pode consertar isso com uma pílula é uma loucura, é não entender a complexidade do desejo sexual." Outras abordagens
Queda de cabelo em mulheres: como parar
Tempos depois, as pesquisas com o viagra mostrariam que esse aumento da circulação era de fato capaz de provocar ereções e de mantê-las por mais tempo. E a primeira abordagem da indústria farmacêutica ao voltar seus esforços para um possível viagra feminino se baseava exatamente nesse princípio: literalmente bombear mais sangue para a vagina e para o clitóris. "O tecido que dá origem aos órgãos sexuais femininos e masculinos é o mesmo nas fases iniciais do desenvolvimento do feto", explica Boolell. "Esse tecido vai se diferenciando à medida que é exposto aos hormônios, mas as células-tronco que dão origem aos órgãos sexuais são essencialmente as mesmas [em meninos e meninas]. E a enzima fosfodiesterase tipo 5 [PDE5] também está presente no tecido genital feminino.
7. Ginkgo biloba
Então nós pensamos: 'Bom, se funcionou com os homens, tem uma boa chance de que tenha impacto nas mulheres'." Os exames fisiológicos chegavam a mostrar um aumento da circulação sanguínea na vagina e no clitóris, mas tanto as participantes do grupo placebo quanto as que estavam tomando viagra não relatavam melhora na função sexual. Outras farmacêuticas realizando pesquisas semelhantes vinham se deparando com o mesmo problema - o que não chegava a ser surpresa para os especialistas em fisiologia sexual que já pesquisavam como a questão do fluxo sanguíneo se encaixava na equação da satisfação sexual. Esse era o caso da cientista Nicole Prause, na época envolvida em um dos projetos do viagra feminino nos EUA. O aumento do fluxo de sangue para os órgãos sexuais também faz parte da resposta sexual feminina. Quando uma mulher fica excitada, o corpo intensifica a circulação sanguínea nas paredes vaginais e no clitóris, que aumenta de tamanho, assim como os pequenos lábios - um processo chamado vasocongestão.
5. Maca peruana
O problema é que, muitas vezes, as mulheres não chegam nem a se dar conta de que isso acontece. "Nós estudamos isso por anos e, para as mulheres, não é tão fácil autoavaliar a vasocongestão", ressalta Prause. "Então nós sabíamos que a chance de fazermos algo nesse sentido e de que as mulheres relatassem que de fato estavam sentindo alguma coisa era praticamente zero." A maioria dos problemas sexuais das mulheres não tem relação com um fluxo insuficiente de sangue para região genital, destaca Lori Brotto, professora do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, e diretora do Laboratório de Saúde Sexual da mesma instituição. Especialmente o mais comum deles: a perda ou a redução do desejo sexual. Nos homens, aliás, o viagra não funciona sem desejo - é preciso "ativação" do cérebro para que haja ereção. farmacológicas - como o Vyleesi, injeção de bremelanotida aprovado nos EUA em 2019 para mulheres em pré-menopausa com baixa libido - tampouco se mostraram frutíferas.
- Muitas mulheres confundem a falta de desejo com problemas de excitação ou dor, que exigem abordagens diferentes.
- A terapia hormonal de substituição, quando indicada na menopausa, pode melhorar a libido e a lubrificação vaginal.
- Problemas de desejo sexual feminino têm frequentemente causas psicológicas, como stress, ansiedade ou depressão.
- Conflitos de relacionamento, cansaço e rotina são factores que afectam a líbido feminina de forma mais significativa do que causas físicas.
Parte do fracasso pode ter relação com o fato de que o desejo tem uma dimensão psicológica relevante para as mulheres.
| Produto | Dosagem | Quantidade + Bónus | Preço | |
|---|---|---|---|---|
| Viagra Genérico | 25mg | 180 + 6 comprimidos | 154.93€ 147.55€ | |
| Viagra Genérico | 100mg | 60 + 4 comprimidos | 96.36€ 91.77€ | |
| Viagra Super Active | 100mg | 120 + 16 comprimidos | 198.37€ 188.92€ | |
| Viagra Professional | 100mg | 120 + 4 comprimidos | 262.83€ 250.31€ | |
| Viagra Genérico | 200mg | 20 comprimidos | 61.69€ 58.75€ | |
| Viagra Genérico | 25mg | 270 + 8 comprimidos | 184.26€ 175.49€ | |
| Viagra Super Active | 100mg | 90 + 10 comprimidos | 165.61€ 157.72€ | |
| Viagra Genérico | 100mg | 30 + 4 comprimidos | 60.91€ 58.01€ | |
| Viagra Genérico | 150mg | 360 + 10 comprimidos | 423.48€ 403.31€ | |
| Viagra Super Active | 100mg | 20 + 4 comprimidos | 48.05€ 45.76€ | |
| Viagra Genérico | 200mg | 270 + 10 comprimidos | 379.76€ 361.68€ | |
| Viagra Oral Jelly | 100mg | 21 saquetas | 78.66€ 74.91€ | |
| Viagra Soft Tabs | 100mg | 30 + 4 comprimidos | 83.06€ 79.10€ |
É o que ajuda a explicar, por exemplo, porque a baixa libido as afeta mais que aos homens.
Só para tratar transtornos
Com acesso aos dados da pesquisa, chamaram-lhe atenção os registros diários dos relatos dados pelas participantes aos pesquisadores e o fato de que as mulheres que estavam no grupo placebo também tinham experimentado aumento da libido. "A partir do momento em que as mulheres começaram a se perguntar sobre desejo, elas passaram a sentir desejo! Não seria mais barato comprar um diário do que tomar uma pílula? "Nós obviamente depreendemos de dados como esses que o desejo é uma experiência complexa. Não é como uma bolha que estoura, é uma experiência consciente.
4. Tribulus terrestris
E se a única maneira pela qual você consegue medir é perguntando às pessoas, o dado é enviesado. É diferente de uma ereção, que é algo observável. A excitação feminina é tão mais complicada..." Nesse sentido, Diamond menciona uma área de pesquisa da sexualidade feminina chamada de estudos de concordância, que investiga a conexão e desconexão entre a resposta sexual fisiológica e a resposta cerebral. Nos homens, na maioria das vezes a excitação sexual subjetiva - ou seja, o que acontece no cérebro - conversa com o que está acontecendo na genitália. O homem sente desejo e tem uma ereção. Depressão, ansiedade, estresse, baixa autoestima, conflitos no relacionamento, vergonha do parceiro - tudo isso interfere mais
A busca pela 'pílula rosa'
A questão central, nesse caso, é que o mecanismo de manifestação do desejo é bastante diferente entre homens e mulheres. Na visão de Prause, ainda que tudo isso estivesse claro desde cedo para muitos dos cientistas envolvidos nas pesquisas, o potencial de vendas de uma droga que pudesse chegar ao mercado com o mesmo marketing do viagra fez com que muitas farmacêuticas ignorassem os alertas. "Nós avisamos que não iria funcionar", ela reitera. Então estudante de pós-graduação no prestigioso Kinsey Institute, Prause acompanhava seu mentor quando, no começo dos anos 2000, se envolveu em um dos projetos do viagra feminino. Na primeira reunião com o grupo que conduziria a pesquisa, uma surpresa: apenas homens - a maioria acima dos 50 anos, médicos e sem PhD, ou seja, sem treinamento aprofundado em pesquisa científica.
Flibanserin é o mesmo que Viagra?
"Tinha uma secretária também, que entrava na sala às vezes para servir bolinhos", ela brinca, emendando que acredita que os envolvidos "estavam lá com a melhor das intenções, que queriam ajudar as mulheres e realmente achavam que estavam diante de algo que poderia fazer isso". Ainda assim, a sensação é de que "não houve um debate razoável sobre o que é resposta sexual feminina - os gatilhos para o desejo e a excitação, a conexão (ou desconexão) entre o que acontece no cérebro e no restante do corpo - e sobre por que aquela abordagem provavelmente não iria funcionar". "E isso não é algo único daquela empresa", completa a cientista. Boolell concorda que a indústria farmacêutica deveria "ter ouvido mais as mulheres". Em 2004, quando a Pfizer anunciou que estava suspendendo seu projeto, ele deu uma série de entrevistas para explicar os motivos.
O medicamento que gera controvérsia
"Há uma desconexão em muitas mulheres entre as mudanças na genitália e as mudanças no cérebro [durante a resposta sexual]", disse na ocasião. "Essa desconexão não existe entre os homens. Homens têm ereções consistentemente na presença de mulheres nuas e querem fazer sexo. Com as viagra venda livre lisboa mulheres, as coisas dependem de uma miríade de fatores." Depois do fracasso, as farmacêuticas gradativamente fecharam as torneiras e o ciclo do financiamento abundante para pesquisas em fisiologia sexual minguou. Prause, que a essa altura já estava no departamento de Psiquiatria da Universidade da Califórnia como pesquisadora associada, começou a enfrentar resistência interna na instituição para continuar tocando um estudo sobre orgasmo e depressão. no desejo feminino do que no masculino, pontua a professora Lori Brotto, da Universidade da Colúmbia Britânica.
Testosterona: a hormona do sexo?
Apesar de ter conseguido financiamento privado para sua pesquisa, ouviu da universidade que não poderia aceitar o dinheiro - uma postura que ela atribui ao caráter "controverso" de sua pesquisa. Terminado seu contrato com a UCLA, ela resolveu fundar a Liberos, um instituto de pesquisa independente. "Há ainda um grande estigma em relação a qualquer coisa que se proponha a lidar com problemas sexuais das mulheres", diz ela. "Uma pílula é considerado algo 'aceitável', mas qualquer coisa mais ligada à sexualidade é vista por muitas empresas como algo que pode causar dano à imagem, algo que pode ser visto como pornográfico. Passadas quase duas décadas, uma farmacêutica não havia desistido do viagra feminino - mas focava em outro órgão, o cérebro.
“As mulheres sofrem bastante com a falta de libido, e praticamente em silêncio, por uma condição estigmatizada”
Em 2015, a Sprout colocou no mercado o flibanserin, medicamento originalmente desenvolvido como antidepressivo e que atua nos níveis dos hormônios dopamina e serotonina com a promessa de aumentar a libido feminina. A droga foi recebida de forma crítica pelos especialistas. Nos testes clínicos, o aumento no número de episódios sexuais satisfatórios (uma medida relativamente subjetiva usada pelo órgão regulatório americano, o FDA, para avaliar essa categoria de medicamentos) observados em um mês entre as participantes ficou entre 0,5 a 1, quando comparado aos resultados do grupo submetido ao placebo. Ou seja, no intervalo de um mês, as mulheres que tomavam o medicamento relataram um episódio sexual satisfatório - ou menos - a mais do que aquelas que o não tomavam. Muita gente considerou que o custo-benefício não valia a pena.
6. Ginseng
Ao contrário do viagra, o flibanserin tem de ser tomado diariamente, e pode causar tontura, fadiga e náusea. Também não pode ser consumido por mulheres que ingerem álcool - como o uso é diário, quem opta por tomá-lo tem de parar de beber. A droga chegou a ser rejeitada duas vezes pelo Food and Drug Administration (FDA), o órgão regulatório americano, antes de ser aprovada. Uma das vozes críticas foi a da professora do departamento de Psicologia da Universidade de Utah Lisa Diamond, que pesquisa a sexualidade feminina. A cientista chegou a participar, a convite da farmacêutica que lançou o flibanserin, de um painel com especialistas que simulava o formato adotado pelo FDA - um procedimento que as empresas às vezes fazem para se preparar melhor para o processo "real".
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